Histórico
Ver mensagens anteriores
Votação
Dê uma nota para meu blog
Outros sites
F/Nazca Saatchi&Saatchi
Pá-Pum
Quase Nada Sobre Quase Tudo
Caderno de Vidro
Projeto Releituras
|
| |
 |
 |
Contos do Intervalo - os contos escritos nos intervalos do dia de um publicitário |
|
| |
"RESGATE DE REFÉNS"
 Em meio a tanta discussão sobre o crescente problema da segurança no país, achei que não poderia ficar alheio ao assunto. Outro dia, cruzei com uma viatura da polícia, não sei se civil, militar, metropolitana, federal, secreta ou apenas “polícia”, onde se lia no vidro a designação: “RESGATE DE REFÉNS”. Já tinha visto carros deste tipo com dizereres como “DEIC” ou “GARRA”, mas nada tão explícito quanto isso. “RESGATE DE REFÉNS”. Não sou um especialista em segurança pública, mas me pergunto se toda esta sinceridade estampada na viatura não poderia trazer problemas para a operação da polícia. Acompanhe comigo. Imagine um bandido que mantém um refém num cativeiro por semanas, olhando pela janela e vendo se aproximar uma viatura com o aviso em letras garrafais: “RESGATE DE REFÉNS”. Ele sai correndo na hora, não tenha dúvidas, caro leitor. Ou, numa outra situação, imagine o caso de a viatura designada para o “RESGATE DE REFÉNS” já estar sendo usada no momento em que se desvenda um novo cativeiro. O policial responsável precisa ficar esperando a viatura correta voltar para, só então, ir resgatar o refém? Imagino que sim. Alguém pagou - no caso, com dinheiro público - para uma viatura trazer escrita a frase “RESGATE DE REFÉNS” em sua lataria, não faria sentido usar outra para este fim. Motivaria a abertura de uma nova CPI, no mínimo. Por isso, contra este que acredito ser um problema velado, não divulgado das polícias brasileiras, minha modesta sugestão é simples. A idéia seria passar a usar disfarces, dissimulações astutas, ao invés de dizer a verdade assim, tão escancaradamente, aos meliantes. Voltemos ao exemplo: o bandido está lá, no cativeiro, como dissemos antes, e olha pela janela. Desta vez ele lê, no mesmo automóvel da polícia: “AUXÍLIO A VELHINHAS”. Ele simplesmente checa a idade da refém que, constrangida, responde “42”, e fica tranquilo, assistindo ao noticiário na TV, com a arma repousando na mesinha de centro, facilitando imensamente sua captura por parte dos matreiros policiais. Ele pode processar a polícia alegando que não vale, que assim não brinca mais, mas acredito que nossas autoridades saberiam lidar com este novo problema. O mesmo raciocíonio poderia ser aplicado em outras áreas da instituição. A viatura onde hoje se lê “NARCÓTICOS”, por exemplo, poderia trazer algo como: “SALVAMENTO DE GATOS EM ÁRVORES” ou simplesmente “SABIA QUE O SABIÁ SABIA ASSOBIAR?”, já que no caso dos viciados e seus fornecedores, já um pouco alterados pelo tóxico, bastaria confundí-los um pouco mais para efetuar a prisão. Não sei, são apenas idéias de um cidadão consciente e atuante que presa pelo bem-estar da sociedade em que vive.
Escrito por Marcelo Nogueira às 10h54
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ ver mensagens anteriores ]
|
| |
|
 |
|