Histórico
Ver mensagens anteriores
Votação
Dê uma nota para meu blog
Outros sites
F/Nazca Saatchi&Saatchi
Pá-Pum
Quase Nada Sobre Quase Tudo
Caderno de Vidro
Projeto Releituras
|
| |
 |
 |
Contos do Intervalo - os contos escritos nos intervalos do dia de um publicitário |
|
| |
OTORRINOLARINGOLOGISTA
 - Pai, quando eu crescer, quero ser otorrinolaringologista. Ele tinha cinco anos. O pai foi pêgo de surpresa. - O quê? - Otorrinolaringologista. Médico de ouvido, nariz e garganta, pai. - Ah... Ficou preocupadíssimo. Não entendia o que aquilo queria dizer, mas tinha certeza de que não poderia ser bom. Uma criança daquela idade que queria ser tal coisa não estava certo. Colocou o filho na terapia. Mas, depois de algumas sessões, a psicóloga chamou o homem e foi incisiva. - O menino está ótimo. Melhor impossível. - Melhor impossível? Ele tem a doença daquele cara do filme? - Não, é modo de dizer. O seu filho não tem nenhum problema. - Tem certeza, doutora? - Claro. É uma criança perfeitamente saudável. E me receitou um remedinho ótimo pra garganta. Resignou-se (parênteses: uma das vantagens de se escrever contos é a possibilidade de usar termos como “resignou-se” impunemente. “Impunemente” é bom também). O jeito era esperar para ver no que dava. Se o menino cresceria como os outros ou se, esquisito daquele jeito, um dia viraria um psicopata assassino - estrangulador, provavelmente, dado o gosto que desde cedo demonstrava por gargantas. Por via das dúvidas, começou a dormir com a porta do quarto trancada. Mas os anos se passaram, o menino virou adulto e a história provou que toda a preocupação era, afinal, infundada. Aquela mania de otorrinolaringologista foi completamente esquecida, era coisa de criança. O rapaz arranjou namorada, se formou, e acabou fazendo carreira num ramo totalmente diferente daquele tão incomum com que sonhara na infância. Acontece com muita gente, criança tem imaginação fértil. Thiaguinho hoje em dia trabalha na NASA, junto com seus outros colegas astronautas. Está mais feliz agora do que na época em que trabalhou no corpo de bombeiros, é verdade. Mas, secretamente, ainda olha fotos de endoscopia naso-bucal na Internet, com lágrimas nos olhos.
Escrito por Marcelo Nogueira às 09h58
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ ver mensagens anteriores ]
|
| |
|
 |
|