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CONVERSA SOLTA
O comentário que o passageiro da primeira fileira fez sobre o decote da loirinha sentada ao seu lado correu pelo avião e foi parar no ouvido de uma senhora que estava no centro da aeronave. Ela olhou tão feio para o homem ao seu lado que ele se indignou e perguntou se havia algum problema, mas a pergunta foi parar num publicitário que estava sentado cinco fileiras atrás e que morria de medo de avião. Ele teve a impressão de que a frase fora dita pelo comissário de bordo que passava pelo corredor e se desesperou. Problema? O avião vai cair? A pergunta não foi escutada pelo comissário, mas sim, por um executivo que estava mais atrás e que teve a impressão de tê-la ouvido do padre à sua direita, em tom de afirmação: o avião vai cair. Tomou o celular e ligou para o corretor, para garantir que seu seguro de vida estava em dia. O seguro estava ok, foi o que a comissária que esquentava a comida, lá no fundo do avião, ouviu o profissional dizer ao telefone, mas a ligação indevida interferiu na transmissão de rádio que o comandante recebia naquele momento. Por sorte o incidente não causou nenhum problema, já que o comandante não ouviria de qualquer jeito a mensagem, que saiu da cabine e entrou pelo aparelho de surdez de um velhinho, que sentava na terceira fileira e que pensou que o equipamento estava quebrado, captando ondas de rádio de novo. Foi por isso que o Concorde não deu certo. Acima da velocidade do som, não se pode nem conversar direito.
Escrito por Marcelo Nogueira às 16h45
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